Agora pouco, na aula de inglês.
A professora estava exemplificando "monuments", e acabou perguntando "Vocês acham as coisas da bienal legal? Eu acho os monumentos na cidade mais bonitos que aquilo!"
Os outros três concordaram com a professora, e eu fui defender meu ponto: "Eu me diverti horrores na bienal desse ano", mas só pra ganhar olhares tortos.
Era desnecessária minha opinião sobre a bienal, todos na sala já sabem dos meus gostos, mas eu tinha que falar.
Me ofendo vendo as pessoas tendo tão pouco apresso a cultura, como se eu tivesse culpa por não influenciar eles. Ainda tinha uma professora de línguas (uma professora de cultura) entre eles. Fiquei triste, realmente triste, mas era a opinião deles, o que eu podia fazer?
É sempre assim, sempre um sentimento ruim quando vejo alguém dando tão pouco valor à cultura, um sentimento de incompreensão.
Mais cedo, quando fui perguntada sobre algo que odeio, respondi "Funk no volume máximo dentro do ônibus. Tenho vontade de presentear as pessoas com fones de ouvido ou colocar Beethoven no máximo pra contra-atacar". Beethoven recebeu mais olhares tortos.
O pior de tudo é que eu sei que que esse "nojo" dos outros quanto a cultura não-popular é, provavelmente, ao desconhecimento. A impopularidade. Ok, pessoas podem não gostar de clássicos assim como eu não gosto de funk, mas eu tenho meus motivos racionais, não é preconceito. Odeio porque não gosto do ritmo, não considero música já que não tem sequer um instrumento, não tem musicalidade que é essencial pra música, qualquer voz serve (cantando bem ou mal), nenhuma letra me agrada e, pra completar, aqueles que gostam desse estilo ainda são anti-culturais. Não odeio simplesmente por odiar, ou porque a maioria das pessoas também não gosta ou porque as pessoas que ando não gostam. Odeio por mim, e por razões racionais.
Por que Beethoven é odiado pelos novos jovens? Porque um alguém disse que é coisa de velho, ou brega, e assim todos o seeguiram. Com o passar do tempo, com o costume com o ritmo novo, acaba se desgostando do velho.
Tá, e a bienal? A bienal é um caso de desincentivo á cultura. Se tivesse alguém explicando para as pessoas do que se trata as obras, o 1/3 que se interessaria por ouvir, gostaria. As pessoas não querem pensar, não querem saber, querem apenas criticar. Se, aparentemente, o artista e o público não tiverem a mesma visão, a mesma linha de raciocínio, o público vai achar uma merda, enquanto aqueles que entenderam acharão fabuloso. Preguiça cultural.
Esses tempos montei uma tese sobre jovens que escutam funk. Sem preconceitos, mas também sem dados oficiais (até porque, os dados que precisam não existem), baseados apenas no que observo. E como sou eu que observo, está no meu ponto de vista. Mas essa tese fica pra outro post.
E sim, eu me diverti horrores na bienal.
E fiquei muito triste, muito mesmo, na aula de inglês de hoje.





